23 de dez de 2008

POESIAS


Poesia sono
Poesia ansiedade
Poesia insônia
Poesia cidade

Poesia símbolo
Poesia silêncio
Poesia cinismo
Poesia sentença

Poesia espera
Poesia prece

Poesia simples
Poesia sempre

20 de dez de 2008

AUTOESPELHOGRAFIA (uma saudação a meus mestres)

O poeta é um fingidor,
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente


E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.


E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
que se chama coração

F. Pessoa (“Autopsicografia”)

“(...)

Porque, para que a Dor perscrutes, fora
Mister que, não como és, em síntese, antes
Fosses, a refletir teus semelhantes,
A própria humanidade sofredora!

A universal complexidade é que Ela
Compreende. E se, por vezes, se divide,
Mesmo ainda assim, seu todo não reside
No quociente isolado da parcela!

(...)”

A. dos Anjos (“As cismas do destino”)

Sou um cristal a luzir
uma poesia emprestada
à musa envenenada
pela dor que eu fingir.

Os que focam-se em meu brilho
sentem um êxtase de cegos;
vêem, na dor que eu reflito,
um cintilar sobre os egos.

É o encanto com um sublime
ciente da sensação
de que as cismas do destino
pedem vidros à razão.

caeiro.com

seja on-line seja in of

insisto em sofrer a dor

que a alma deveras sofre

sitiado com Caeiro

reger um coral de orpheus

- tão logo login, logout!

E a orquestra heteronímica

na batuta do maestro

me entoando em eus diversos

A Augusto dos Anjos

Ouvi um anjo, cujas asas eram minhas,
dizer em verso – sê bem vindo ao paraíso!
Eu esperava levantar em pouco tempo
daquele leito em chão batido de cimento.

Mas as palavras pareciam excrementos,
a recobrirem os meus mais gélidos lamentos
E o anjo inerte em tom solene insistia
– nosso Poeta encaminha-te um sorriso.

Fez, pois, menção de me sorrir com um olhar materno;
cheio de dentes, mas sem boca, e sem lábios;
sem paraíso, purgatório, nem inferno.

E a gente à volta insacia o verme hábil,
em suas tumbas revestidas ad aeternum
– uns foram anjos, outros poetas e sábios.

W a n c i s c o F r a n c o


18 de dez de 2008

V Á R I O

Ser um vário
sem ovário
e sem pessoas

Sem Pessoa
(o vário ser ovário)
vário ser